Qual é o papel do consultor na fazenda?

Em boa parte das fazendas produtoras de leite, os consultores são tão ativos quanto o proprietário ou o gerente – não raro, se fazem até mais presentes que os próprios donos do negócio. Ao compartilharem seu conhecimento técnico, esses profissionais têm papel fundamental na evolução do desempenho da fazenda, contribuindo para a melhoria dos resultados em diversas áreas, tais como nutrição, sanidade, genética e reprodução, entre outros.

Sem dúvida alguma, esse suporte faz toda a diferença para quem quer produzir mais e melhor. Muitas vezes, porém, os consultores não conseguem atingir os objetivos traçados para o seu trabalho devido às deficiências de gestão das fazendas. Como ele poderia ajudar a reduzir a incidência de mastite se os funcionários não estão engajados e devidamente capacitados para garantir o controle dos processos? E como a dieta prescrita para as vacas poderia aumentar a produtividade se, por falha operacional, falta comida no cocho?

Esses exemplos cotidianos demonstram o quanto a gestão pode representar uma barreira à atuação do consultor. E é aí que mora o perigo. Pressionados por resultados, é comum que esses profissionais acabem por assumir atividades gerenciais e até mesmo tomar decisões na fazenda. Isso é um enorme erro de gestão! Afinal, como defendemos no Sistema MDA, a tomada de decisão sobre o negócio cabe unicamente ao dono e não deve, jamais, ser delegada.

Qual seria o papel do consultor nesse contexto? A resposta é simples: contribuir para a solução de problemas que atrapalham o sucesso da fazenda. Mas atenção: não se tratam de problemas “caçados” por ele, na ânsia de mostrar serviço porque foi chamado para apagar incêndios e tirar da cartola a salvação. Quando a gestão da fazenda é conduzida de forma correta, a identificação de problemas reais se dá com base em indicadores acionáveis e em anomalias. É ao desenvolver projetos, visando atacar problemas reais, que todo o conhecimento do consultor entra em campo e, de fato, ajuda a fazenda a virar o jogo.

O sucesso dessa empreitada depende, obviamente, da clareza que o proprietário tem quanto às responsabilidades de cada um no negócio. Nada impede que o consultor adquira conhecimento em gestão e se torne um multiplicador de boas práticas, estimulando donos e gerentes a implantar ferramentas que melhorem o fluxo de trabalho e impulsionem o engajamento das pessoas. Quando proprietários, consultores e funcionários jogam juntos, todo mundo ganha.