Um projeto transformador

Como ajudar ainda mais os cooperados na busca pelo sucesso das fazendas produtoras de leite? Essa era a pergunta que inquietava o Comitê Pecuário da Frísia ao final de 2015. Atenta a questões relacionadas a nutrição, reprodução, manejo e sanidade, entre outros fatores relevantes à produção, a equipe técnica da  Cooperativa também percebia que era possível ir além. “Embora as propriedades evoluíssem bem nas questões mais técnicas, havia potencial para obter resultados melhores, mas eles dependiam de mudanças na forma dos produtores administrarem seus negócios”, explica o gerente da Unidade de Negócios Pecuários da Frísia, Mauro Sergio Souza. 

Tornava-se evidente, para a Cooperativa, que um novo salto de qualidade e rentabilidade dependia do avanço em outra frente: a gestão das propriedades. “Temos como um de nossos propósitos aumentar a eficiência no campo e sentíamos que era preciso melhorar os processos gerenciais nas fazendas, de forma bastante prática. Estávamos certos de que isso geraria impactos positivos para nossos cooperados”, relata o superintendente da Frísia, Emerson Moura. A partir dessa constatação, validada pelo Comitê e também pela Diretoria, a Unidade de Negócios Pecuários dedicou-se a desenhar um projeto capaz de concretizar esse desejo.

A parceria necessária à formatação do projeto foi encontrada em Piracicaba (SP), na Clínica do Leite, instituição vinculada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Vários cooperados da Frísia, incluindo gestores e membros do Comitê Pecuário, já haviam participado de treinamentos oferecidos sobre o Sistema MDA, um modelo de gestão desenvolvido pelo Professor Paulo Fernando Machado, diretor da Clínica do Leite, para aplicação na agropecuária. “Além de ser uma instituição referência na área, a Clínica oferecia uma metodologia consolidada, com ferramentas simples e acessíveis a qualquer produtor. Então o MDA se mostrou um caminho certeiro para o sucesso do projeto”, destaca o coordenador de pecuária leiteira da Frísia, Jefferson Pagno.  

Depois de uma série de reuniões entre as equipes da Clínica do Leite e da Cooperativa, nascia o projeto Gestão da Fazenda Frísia. “Sabíamos que o Sistema MDA, já implantado com sucesso em centenas de fazendas brasileiras, encontraria naquela região do Paraná condições muito especiais para aplicação. Tínhamos lá produtores decididos a melhorar, o importante suporte da Cooperativa, uma tradição de qualidade produtiva e muita disposição em aprender e trabalhar para alcançar o sucesso. Juntos, esses fatores determinariam o êxito do projeto”,  afirma.

Formato inovador

Iniciado em 2016, o projeto foi dividido em duas frentes: a capacitação de produtores e o suporte à implantação do Sistema MDA nas fazendas. Assim como a equipe técnica da Frísia, os cooperados participaram de aulas presenciais, conduzidas por instrutores do MDA, nas quais conheceram os conceitos, ferramentas e práticas do Sistema.

Divididas em módulos temáticos, com encontros mensais, as aulas apresentavam o passo a passo da Jornada de Implantação MDA  – uma espécie de roteiro para facilitar tanto a aprendizagem quanto a aplicação de práticas gerenciais na fazenda. “Com a Jornada, o produtor inicia o curso e recebe um mapa das etapas que deve cumprir para colocar o conteúdo em prática. Isso permite que ele transforme a implantação do Sistema em um projeto e vá avançando gradualmente, à medida que aprende os conceitos e os incorpora na rotina. Ao longo desse caminho, os primeiros resultados começam a surgir e reforçam o estímulo à aplicação”, explica o professor Paulo Machado.

Para assegurar que o conteúdo aprendido em sala de aula fosse aplicado na prática, entrava em campo a equipe técnica da Cooperativa. Em todas as propriedades participantes o técnico da Frísia, que já apoiava o cooperado, era responsável por prestar suporte ao longo das etapas de implantação, esclarecendo dúvidas e ajudando o produtor a liderar as atividades previstas. “Para nossa equipe, desempenhar esse papel é desafiador e, ao mesmo tempo, muito gratificante. Ao focar na gestão, o técnico deixa de contribuir apenas com questões pontuais e passa a ter uma função mais estratégica, o que amplia o impacto positivo da sua atuação”, explica Souza.

 Reforçando o suporte, a equipe do MDA realizava monitorias periódicas nas fazendas, acompanhando o trabalho dos técnicos e a evolução da implantação nas propriedades. “Esse trabalho foi fundamental para que, junto à equipe da Frísia, avaliássemos regularmente se estávamos conseguindo transmitir o conhecimento aos produtores de forma adequada. Ao ouvir as principais dúvidas, analisar indicadores e observar a forma que eles conduziam o negócio, tínhamos esse diagnóstico”, relata o instrutor do MDA, Augusto Lima.

 Desde que o projeto foi iniciado, quatro turmas foram formadas – três em Carambeí e uma em Imbituva. Ao todo, cerca de 120 produtores participam do projeto. Mesmo após o fim das aulas, workshops temáticos seguem reunindo os integrantes de todas as turmas para reforçar conteúdos e trocar experiências. Tanto os produtores quanto a Cooperativa já contabilizam resultados. Desde que o projeto foi iniciado, houve uma melhoria significativa na precificação do leite dos cooperados da Frísia. “Embora importantes, os resultados numéricos não representam o principal  ganho. O maior impacto do projeto, sem dúvida, é a transformação do produtor, que comprou a ideia, se dispôs a mudar o jeito de trabalhar e participou ativamente da construção desses resultados”, afirma Moura. E assim, somando esforços, os produtores de leite da Frísia comprovam, mais uma vez, o potencial transformador do espírito cooperativista.

(Publicado originalmente em dezembro de 2017, na revista “Gestão da Fazenda” - publicação produzida em parceria por Clínica do Leite e Frísia).

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