Uma boa meta para 2019? Desperdício zero!

Todo ano que se inicia, a conversa é a mesma: quais são as suas metas para o novo ciclo? E a (irritante) pergunta nos faz, a cada janeiro, listar muitas ações a serem realizadas nos próximos 12 meses, todas guiadas por números – quantos quilos queremos emagrecer, quantos litros/toneladas queremos produzir, quantos reais queremos faturar. E por aí vai.

Quem me conhece sabe o quão avesso sou à definição de metas, especialmente as relacionadas aos negócios. Quando compreendemos os conceitos envolvidos no Sistema MDA, fica mais fácil perceber que muito além de um número a perseguir (a famigerada meta!), precisamos ter clareza quanto aos resultados esperados de cada sistema que compõe o negócio. E, mais ainda, entender aquilo que, de fato, esses sistemas conseguem entregar, nas condições que temos – em vez de metas irreais, impossíveis de serem cumpridas, excelentes para desestimular todo o time.

Metas, se existentes, devem ter o papel de norteadoras para a melhoria contínua. Ou seja, apontar aonde queremos chegar com os pequenos incrementos que fizermos em nossos negócios, todos os dias. Nesse sentido, se você deseja eleger uma boa meta para perseguir em 2019, minha sugestão é uma só: redução de desperdícios! Mas tenha em mente o conceito de desperdício, alinhado à filosofia lean: qualquer atividade que consome recursos, mas não cria valor para o cliente.

Nas fazendas (e em grande parte das empresas), as atividades que efetivamente criam valor representam uma parcela muito pequena de tudo que é feito. Quer um exemplo? Em uma fazenda produtora de leite, o tempo de ordenha de vacas (da colocação da teteira até a sua retirada em uma única vaca) varia de três a cinco minutos. Se considerarmos quatro minutos, e tivermos uma sala de ordenha 2 X 4 (8 unidades), 100 vacas seriam ordenhadas em 50 minutos. No entanto, o normal em um rebanho como esse são duas horas de duração.

A diferença se deve aos trabalhos de entrada e saída de vacas, limpeza de tetos etc. Esse tempo adicional não cria valor e é, portanto, um desperdício que deveria ser minimizado, pois representa mais do que o dobro do tempo necessário de ordenha. Quando focamos em eliminar desperdícios, nos permitimos deixar de fazer o que é irrelevante. Como resultado, reduzimos retrabalho, movimentação desnecessária, horas extras – entre tantos outros vilões do desempenho. Não se engane: enquanto esses vilões reinarem, qualquer meta se tornará mais difícil (se não impossível) de ser alcançada.

Então, ao longo deste ano, se desafie a enxergar os desperdícios presentes nos processos – em todos os sistemas e em cada canto da fazenda. Uma vez que você os perceba, entre em ação: investigue as causas com cuidado e elimine, um a um, de forma definitiva. Em pouco tempo, você verá o quão gratificante esse ciclo de “identificar-investigar-eliminar” se torna – não apenas para você, mas para todos os envolvidos. E o mais interessante: essa meta jamais é batida. Ela se renova, ano após ano. Sabe por quê? Porque quanto mais a gente melhora, mais espaço se abre para ser ainda melhor. Feliz 2019! 

 

 

Paulo Fernando Machado