Lean da cabeça aos pés

Paulo F. Machado
Henrique Z. Marques
Ana Flávia de Morais

Durante o Programa de Formação, aprendemos como aplicar a filosofia lean no gerenciamento da fazenda. Seria possível adotar o mesmo pensamento em nossas vidas?

            Quando ouvimos falar de lean em outros contextos, grandes fábricas ou empresas, temos a impressão de que é algo complexo e que demanda um esforço muito grande.  Realmente, ser lean demanda esforço, pois envolve alterar a forma como nós e outras pessoas pensamos e nos comportamos. Mas a resposta para a pergunta – podemos colocar isso na nossa vida? - é SIM. Não só podemos, como devemos. Afinal, se conseguirmos fazer com que o pensamento lean se torne um hábito em nossa vida, ele automaticamente entrará na cultura da fazenda.

Já a ideia de ser algo complexo, não é verdadeira. Uma das bases do lean é a simplificação. Aprendemos a aplicar essa filosofia no gerenciamento da fazenda, de forma simples e planejada, seguindo uma Jornada e utilizando ferramentas que nos ajudam a ter os comportamentos desejados. Por que seria diferente em nossa vida?

Pensando nisso, resolvemos montar uma série de artigos mostrando como os conceitos do lean também são úteis no nosso dia a dia, contribuindo para que tenhamos relacionamentos melhores e vidas mais felizes e produtivas.  

Certo, mas como posso de fato encaixar o lean na minha vida?

Pense só: você tem problemas? Tem uma rotina estressante e gasta muito tempo com atividades que não geram valor para ninguém? Sente que os dias e os anos passam e não estamos perto de onde desejávamos ou que muitas vezes nem sabemos onde desejávamos estar? Então, é aí que o lean entra.

Os princípios dessa filosofia são voltados para o foco no cliente e o que gera valor para ele, eliminando o que não gera por meio da simplificação, resolução de problemas, eliminação de desperdícios e melhoria contínua. Devemos abraçar esse pensamento e aplicá-lo em todos os aspectos da nossa vida.

 

O que são atividades que geram valor?

É uma atividade que altera diretamente ou melhora o produto ou o resultado esperado. Um exemplo do nosso cotidiano: almoçar. O que de fato gera valor para nós nessa atividade é preparar e comer a comida. Todo o tempo que passamos no mercado, estacionando o carro, procurando os ingredientes, parados na fila ou nos movimentando na cozinha procurando utensílios, é um tempo gasto com atividades que não geram valor. Se pensarmos em formas de diminuir ou eliminar essas atividades, com certeza teremos mais tempo para fazer o que realmente importa para nós.

Assim, como na Jornada, devemos começar entendendo quem é nosso cliente. Quem é o cliente da sua vida? Esposo, esposa, filhos, namorado ou namorada, amigos? O que eles, como clientes, querem de você? Já parou para pensar nisso? E quanto do seu tempo você está gastando para gerar valor para esses clientes que são tão importantes para você? E não se esqueça que você tem um outro cliente, e arrisco dizer que é o mais importante: VOCÊ mesmo. Você é seu principal cliente, então o que você quer? Talvez seja bem-estar, disposição, felicidade, um corpo saudável. E aí? Quanto do seu dia você passa fazendo atividades que estão gerando valor para você? E para realizar os seus sonhos?

 Por isso, outra ferramenta do lean que podemos aplicar é a definição do nosso norte verdadeiro. Qual o seu propósito? Onde quer estar daqui 5, 10, 15 anos? Como serão os seus relacionamentos, saúde, rotina? Fica aqui uma proposta: escreva a sua carta da visão. Uma carta do seu futuro eu contando tudo que aconteceu nos últimos anos para o seu eu de agora. Tendo isso em mente, é possível pensar mais objetivamente no que gera ou não valor, enxergar as anomalias e problemas que acontecem no seu dia a dia e encará-los de uma forma positiva, como uma oportunidade para apender e se desenvolver.

Com esse norte definido, concentre-se nos seus comportamentos. Esteja junto das pessoas que são importantes para você. Foque em utilizar seu tempo com atividades que realmente geram valor e diminua ou elimine todas as outras que não geram. E por fim, não se conforme. Não escolha ser “bom o suficiente”, mas dar o máximo de si e melhorar todos os dias.

Em próximos artigos vamos abordar como utilizar outras ferramentas da Jornada para internalizar essa forma de pensar. Vamos trazer exemplos e ideias de como o pensamento lean nos ajuda a organizar nosso dia a dia, para aproveitarmos ao máximo nossa vida.

 
agro+lean